“Sardinha: o sem fim da pesca do cerco” – Por Helder Luís

Esta exposição resulta de um projeto de fotografia documental desenvolvido ao longo de quatro anos, entre 2018 e 2022, sobre a pesca do cerco, essa verdadeira epopeia quase desconhecida.
Desse projeto resultou o livro Sardinha, publicado em 2023. Este projeto foi desenvolvido no âmbito da residência artística MARPVZ19/20 dedicada à cultura marítima, apoiada pelo município da Póvoa de Varzim.
Percorri a maior parte dos portos de pesca, a bordo de barcos da Póvoa de Varzim, das Caxinas e de Vila do Conde, acompanhando as suas tripulações em dezenas de viagens, observando, escutando, fotografando. Essa experiência está agora traduzida em fotografias e em textos, em infografias e em desenhos técnicos que procuram retratar a vastidão da pesca do cerco.
Não se pode compreender a pesca da sardinha e a pesca do cerco sem conhecer os pescadores que perseguem o peixe e o pescam num mar infindável ao longo da costa. Por isso, embora seja importante compreender os mares e o peixe, os barcos e as redes, documentar este tipo de pesca implica conhecer a vida dos pescadores e a força e a incerteza dos elementos naturais a que estão expostos. O meu trabalho sobre a pesca acabou por tornar-se indissociável das experiências, das viagens e das aprendizagens com quem anda ao mar.
Peniche ocupa um lugar relevante nesta história. Ao longo dos quatro anos do projeto, passei várias semanas neste porto acompanhando as embarcações do norte que aqui se fixam durante meses, em busca de melhores condições para a pesca e a venda do peixe. Porto de grande tradição piscatória, continua a ser um dos mais importantes na captura da sardinha, beneficiando de um mar rico e abundante, mas também exigente, com águas profundas e expostas a ventos fortes.
Aqui, a pesca do cerco tem um ritmo próprio, com embarcações que partem em plena luz do dia, às 14h em ponto, e regressam ao porto para múltiplas descargas, ajustando-se a uma rotina distinta daquela que se encontra noutras zonas do país.
A pesca do cerco irá mudar e irá evoluir, mas continuará a ser, como sempre foi, uma luta entre a sobrevivência de uma espécie e a subsistência da outra. Este é o meu contributo para o reconhecimento desta atividade e, no fundo, das gentes que vivem do mar e no mar.”
É com enorme prazer que vos convido a participar na inauguração da exposição Sardinha – o sem fim da pesca do cerco de Helder Luís na Central Elétrica em Peniche.
A exposição será inaugurada este sábado, 5 de Abril, pelas 16:30 e estará aberta ao público até ao dia 8 de Junho de 2025.
Helder Luís