Portugal vive “intolerância crescente do preconceito” contra imigrantes

Termina esta sexta-feira, em Santa Maria da Feira, o encontro “Food 4 Thought – Alimento para Pensar” que juntou especialistas de seis países, documentários, exposições, visitas, prova de águas e degustações gastronómicas.
No primeiro dia, no painel dedicado às “Alterações Demográficas e Agricultura”, Alexandra Lopes, investigadora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, abordou a questão da intolerância crescente em relação aos estrangeiros e, ao mesmo, os portugueses gostam de ser queridos nos países de emigração, nomeadamente a nível gastronómico.
“A política pública, nas últimas duas décadas, tem padecido de um mal: tende a focar-se num tema específco, ou seja, política pública para o envelhecimento, política pública para a habitação, política pública para os transportes”, começou por afirmar. O problema é que, segundo Alexandra Lopes, “a nossa vida, e essas dimensões, não são estanques”.
A política pública mais eficaz, defendeu, “é aquela que tem uma dimensão transversal, ou seja, quando falamos, por exemplo, na questão demgráfica, do que se fala é do mainstream e ela surge em todos os domínios da vida pública”.
Não é possível falar de uma política pública para a educação sem ver que ela tem implicações na demografia ou impactos a nível habitacional.
A investigadora da Faculdade de letras criticou ainda as políticas para o território quem na sua óptica, tem sido mal tratada “por ausência desta noção de transversalidade das políticas públicas.
“Como os domínios não se cruzam, há uma certa intolerância e até conservadorismo que se vão instalando, é o chamado efeito de culpar aquilo que é diferente por um conjunto de situações que nos deixam insatisfeitos”, explicou.
Mas isto, reforçou, “é um efeito da política pública, porque se não se tem política laboral que promova a educação e que crie perspetivas razoavelmente positivas, está-se a abrir a porta para o chamado efeito do ‘bode espiatório'”.